O post de hoje vem em jeito de desabafo. Serve para ficar registado para minha memória futura. Não tem sido a linha deste blog, mas apeteceu-me.
O regresso à escola significou este ano voltar para Castelo de Paiva. Uma decisão tomada totalmente a pensar no bem estar do F..
O quadro era, regressar para Coimbra para uma escola nova, e daqui a uns dias voltar para outra noutro lugar do país, ou voltar para Castelo de Paiva, para a escola que já conhece e aguardar as decisões do Ministério em mandar-nos para outro sítio qualquer.
Não estou colocada ainda, o que significa que, o F. ou voltava a conhecer uma nova escola em Coimbra, ou eu voltaria para Paiva para que ele calmamente e sem ansiedade pudesse continuar com os seus amigos.
Regressar não foi tão fácil como eu estava a pensar. Nova casa, novo quarto, deixar para trás quem se gosta e se quer por perto e vir na qualidade de desempregada à espera de uma colocação sabe-se lá quando e onde!
Sim porque o risco é grande de, daqui a uns dias, ser colocada num lugar bem longe daqui e de Coimbra e de termos os dois de, mais uma vez, fazer as malas e partir novamente e de o F. ir conhecer mais uma escola nova.
Se por um lado uns me dizem para não me preocupar com isso, pois conhecer novas escolas e novas pessoas fá-lo crescer e de eu saber que ele é um menino muito sociável e que se adapta facilemente, a instabilidade faz-me um pouco de confusão, e não tenho tanta certeza de que seja assim tão linear!! Andar como nómada não é popriamente o meu estilo de vida de sonho. e não saber com o que conto, a cada setembro que chega, começa a pesar em mim e por mais que eu ache, a cada ano, que vou enfrentar a situação com mais leveza e alegria, todos os anos nesta altura fico em baixo e ansiosa.
Mas ontem ao ver a felicidade do F. ao regressar à sua escola, rever os seus amigos e brincar com alegria, fez-me pensar que esta terá sido a melhor opção. Agradeceu-me por termos vindo, percebeu que estamos aqui só para ele ir à escola que já conhecia.
Eu que prezo tanto a aprendizagem descontarída e sem ansiedades, andar de escola em escola, de professor em professor, faz-me criar receios e ansiedades quanto à escolarização do F.
Uma vez que por agora o ensino doméstico não pode ser opção para nós, e uma vez que eu vejo que o F. adora ir à escola, para mim mantê-lo numa situação calma e descontraída parece-me o quadro mais feliz. Afastá-lo desta teia esmagadora, emocionalmente devastadora e desgastante que o nosso Ministério da Educação criou, sem olhar a pais, famílias e crianças. Ninguém é ouvido, as situações não são denunciadas, e a sociedade em geral, não faz sequer a menor ideia das histórias que se passam nesta vida de professores.
É triste, traz desalento e vontade de desistir. Mas as opções para outro modo de vida são muito poucas ou nenhumas e a solução é mesmo tentar ver as coisas de forma positiva. Fazer perceber ao F. que o importante não é o lugar onde estamos mas sim estarmos sempre juntos, caminharmos juntos, sorrirmos juntos e enfrentarmos os desafios com determinação e alegria. (ainda que às vezes seja difícil)